O Santo Sepulcro de Cristo

Levando a sua própria cruz, ele saiu para o lugar chamado Caveira (que em aramaico é chamado Gólgota). Ali o crucificaram, e com ele dois outros, um de cada lado de Jesus... Muitos dos judeus leram a placa, pois o lugar em que Jesus foi crucificado ficava próximo da cidade, e a placa estava escrita em aramaico, latim e grego... No lugar onde Jesus foi crucificado havia um jardim; e no jardim, um sepulcro novo, onde ninguém jamais fora colocado. João 19:17,18,20,41


Você encontrará confusão e desgaste que, em nada, lembram a descrição bíblica do local da morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo. Além disso, o prédio está dentro dos muros da cidade, não há um jardim, não há caverna funerária e nem um monte elevado com um encaixe para a cruz. A Basílica do Santo Sepulcro sequer exibe uma porta frontal imponente.



Ao invés disso, o peregrino encontra uma praça pequena, pavimentada com rochas grosseiras e desalinhadas, e ainda percebe que a entrada para o templo se dá por uma porta lateral, muito velha, desgastada, feita em madeira antiga e disposta em uma parede simples, confusa e cheia de sinais de reconstruções, como se fosse uma fortificação medieval.



Mas o que esperar do lugar mais santo do cristianismo após dois milênios? O que esperar desse pequeno pedaço de Jerusalém, tão disputado por nações e denominações, após terremotos, guerras, incêndios, destruições, reconstruções, impérios e disputas dentro da própria igreja? O que esperar de estruturas pisadas e tocadas por bilhões de fiéis e curiosos ao longo de vinte séculos? A resposta é: CAOS!

Foto de 1898

A Basílica do Santo Sepulcro é um imenso quebra-cabeça com peças oriundas dos séculos de intervenção humana nessa era. A instigante confusão dos corredores e capelas, os altares velhos, as pinturas e paredes enegrecidas pela centenária fuligem das velas, as rochas e pisos irregulares, desnivelados e desgastados, as paredes rústicas, na maioria das vezes sem nenhum revestimento, a pouca luz quase tenebrosa, em contraste com adornos de prata e ouro, manifestações emocionadas de fé e orações recitadas em centenas de idiomas, por pessoas de perto e de longe, com feições diferentes, tradições e roupas nada em comum, mas unidas na mesma fé é exatamente o que devemos esperar desse lugar especial, intrigante, emocionante e, sim, caótico.



Lembro-me da primeira vez que olhei para ela... Uau, foi muito emocionante! Precisei de um tempo para me recompor do impacto do peso histórico e, principalmente, do valor inestimável para a fé que aquele local representa. Dia após dia, a Igreja do Santo Sepulcro enfrentou e venceu o poder destrutivo da humanidade e da natureza e continua como um memorial pétreo que prega em alta voz a mensagem principal do Evangelho, que Cristo veio, entregou sua vida e ressuscitou para garantir a vida eterna para todos os povos. Você tem que conhecer!



Um rápido passeio pela história


Desde o tempo de Salomão, fora dos muros da cidade de Jerusalém, havia uma pedreira que fornecera os blocos de pedra para construir na cidade de Jerusalém. Situada em frente ao Portão do Jardim, chamado Gennath por Flavio Josefo, ficava há cerca de 415 metros do Templo judeu.



No primeiro século do nosso tempo, a pedreira, abandonada, havia sido transformada em um jardim, talvez para esconder a “dureza” do local. Alguns moradores de Jerusalém, aproveitaram os nichos e reentrâncias decorrentes da extração de pedras para escavar suas tumbas. Uma das projeções de rocha ali deixadas ficou conhecida como Calvário (em latim) ou Gólgota (em aramaico), termo que significa local da caveira, ou do crânio, talvez porque a rocha parecesse com um crânio ou porque havia restos humanos ali, ou mesmo porque fora usado como local de crucificação pelo Império Romano, já que ficava ao largo de uma estrada e próximo à uma porta da cidade, visível à população de Jerusalém. Lembre-se que os romanos matavam em locais movimentados para que todos soubessem que fim tinham os desobedientes e revoltosos.


Abaixo da capela de Santa Helena, dentro da Basílica, há escavações arqueológicas que revelam parte da pedreira, um grafite de um barco com a inscrição Domini Ivimus, “nós fomos ao Senhor”, com 1600 anos de idade, paredes do templo de Júpiter e do Templo de Constantino, e uma cisterna com uma espécie de encanamento primitivo marcado por cruzes feitas por peregrinos há mais de mil anos. Escavações realizadas no subsolo da Igreja Luterana do redentor, que fica bem próxima à Igreja do Santo Sepulcro, também revelaram a existência da pedreira.


Em qualquer lugar do mundo é comum o hábito de visitar a tumba de familiares e pessoas importantes. Isso certamente aconteceu com os primeiros cristãos que, visitavam e veneravam o local.


Portanto, não existe a possibilidade de que os primeiros cristãos tenham esquecido os locais da crucificação e sepultamento de Jesus. E, certamente, a informação foi passada adiante. Foi nesse local, que Jesus foi assassinado, sepultado e que ressuscitou dos mortos, conforme o relato do Novo Testamento.

Logo nos primeiros anos após a ascensão de Cristo, o cenáculo, local de sua última Páscoa e da descida do Espírito Santo, foi convertido em igreja, provavelmente a lendária Igreja dos Apóstolos. Embaixo do atual cenáculo, onde hoje há a Sinagoga que guarda a Tumba de Davi, ainda é possível ver na parede do primeiro século, o ápice dessa igreja que, pasmem, aponta para a Basílica do Santo Sepulcro. Um forte indício de que a atual Basílica é o local considerado histórico desde as primeiras gerações de cristãos que foram testemunhas oculares dos fatos.


Assim, Jesus também sofreu fora das portas da cidade, para santificar o povo por meio do seu próprio sangue. Hebreus 13.12


Dentro da Igreja do Santo Sepulcro, na Capela Jacobina, é possível ver um conjunto de tumbas escavadas na rocha, ainda originais e possivelmente de José de Arimatéia, que indicam que a região era usada como local de sepultamento entre 37 a.C. e 70 d.C., e que ficava fora dos muros, já que os judeus não sepultavam dentro das cidades. Ao longo da cidade velha de Jerusalém arqueólogos encontraram boa quantidade de ruínas da primeira muralha e, também, a Porta do Jardim, conforme mencionado por Flávio Josefo, que colocam o local de sepultamento fora da cidade.




Segundo a tradição, os primeiros cristãos tiveram a honra de adorar no local de morte e ressurreição de Cristo em seu estado original. Até que, por volta do ano 132 d.C., após sua vitória na terceira guerra judaico-romana, chamada Revolta de Bar Kochba, o imperador Adriano decidiu destruir a memória judaica na Terra Santa. Lembrando que, para Roma, os cristãos eram apenas um tipo de judeu diferente, quase que a mesma coisa, já que mantinham muitos costumes judaicos.


Com o intuito de provocar os judeus, Adriano tomou o nome dos famosos arqui-inimigos de Israel, os filisteus da Filístia ou Filisteia (que no passado compreendia as cidades de Ascalon, Asdode, Ecrom, Gate e Gaza), latinizou o nome para Palæstina e renomeou a província da Judeia como Síria-Palestina, ou seja, a parte sul da província da Síria. Ele destruiu Jerusalém, mudou seu nome para Aélia Captolina e, reconstruindo-a totalmente diferente, mudou a orientação das ruas e sepultou locais importantes para judeus e cristãos com templos pagãos e prédios públicos.


Adriano aterrou a pedreira do Gólgota, o jardim e as tumbas. Sobre esse aterro, construiu um Templo dedicado à Júpiter e Vênus. Mandou, ainda, cunhar uma moeda retratando o edifício para comemorar o fato. Foi construída uma rua principal que atravessava a cidade de Jerusalém de norte a sul, chamada Cardus Maximus, que conduzia ao Templo pagão, construído exatamente sobre os locais da morte e sepultamento de Cristo.



Eusébio (260-339 d.C.), bispo na cidade de Cesaréia Marítima, testemunha ocular de muitos fatos sobre a igreja primitiva e um dos primeiros historiadores cristãos, relatou sobre esse período: “Com muito trabalho, os romanos trouxeram de longe uma grande quantidade de terra e cobriram o local sepultando-o. Depois de erguê-lo à uma certa altura, pavimentaram o local com pedras.” E lamenta: "O monumento de suas santíssimas paixões está há tanto tempo enterrado sob a terra".


Com a publicação do Édito de Milão, em 313 d.C., o Imperador Constantino I legalizou o cristianismo. Sua mãe, a rainha Helena, havia se entregado à uma profunda paixão por Cristo. Ela, então, realizou sua famosa viagem pela Terra Santa a fim de descobrir os locais relacionados com a história cristã. A pedido de sua mãe, Constantino ordenou a construção de quatro templos em homenagem aos eventos da vida de Jesus: A Igreja da Natividade em Belém, a Igreja da Ascensão no Monte das Oliveiras (cujas ruínas estão onde hoje é a Igreja Pater Noster), a Igreja da Anunciação em Nazaré, e, para dar lugar à Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém, Constantino mandou demolir o templo de Adriano, à essa altura já com cerca de duzentos anos, e desenterrar a tumba e a rocha do Gólgota.


Temos um relato interessante do Peregrino de Bardot (333 d.C.) sobre a Igreja do Santo Sepulcro: "À sua esquerda está uma pequena colina do Gólgota onde o Senhor foi crucificado, cerca de uma pedra Afaste-se dela a Cripta onde depositaram seu corpo e de onde ressuscitou no terceiro dia. Estes estão presentes por ordem de Constantino. Foi construída uma basílica que é uma igreja de beleza assombrosa."


Assim como Eusébio, Jerônimo (347-420 d.C.) é testemunha ocular da construção da Basílica do Santo Sepulcro. Ele morava há poucos quilômetros de Jerusalém, em Belém, e dá testemunho de que o templo de Adriano fora construído sobre os locais da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Ele escreveu: “Do tempo de Adriano até Constantino, o local que fora testemunha da ressurreição estava sob a estátua de Júpiter e a rocha sobre a qual ficou a cruz, sob a estátua em mármore de Vênus criada pelos pagãos, tornando-se, ambos, objetos de adoração pagã. Os perseguidores originais de fato supunham que, poluindo nossos lugares sagrados, eles nos privariam de nossa fé na paixão e na ressurreição de Cristo.”


Completamente pronta, a Basílica do Santo Sepulcro foi dedicada no ano de 335 d.C., por ordem do Imperador Constantino I. Eusébio relata: “Assim que o comando de Constantino foi dado, esses mecanismos de engano foram derrubados de sua eminência orgulhosa para o chão, e as moradas do erro com as estátuas e espíritos malignos que elas representavam foram derrubadas e totalmente destruídas. E o zelo do imperador não parou aqui. Ele deu novas ordens para que os materiais da destruição, tanto pedras quanto a madeiras fossem removidos e jogados o mais longe possível do local. Esse comando foi executado rapidamente. No entanto, o imperador não estava satisfeito com o que havia feito até aquele momento, mais uma vez ele ordenou que o próprio solo deveria ser escavado até uma profundidade considerável, já que parte dele estava poluído pelas impurezas do culto demoníaco, e transportado para um lugar distante, o que também foi realizado sem demora. E, assim que a superfície original do solo sob a cobertura da terra apareceu, imediatamente o venerável e santo monumento da ressurreição de nosso salvador foi descoberto. A caverna santíssima referente ao túmulo ressurgiu em semelhança fiel à sua volta à vida, depois de permanecer enterrada na escuridão, novamente emergiu à luz e proporcionou a todos que vieram testemunhar uma prova clara e visível das maravilhas do qual aquele local já foi testemunha. Um testemunho da ressurreição do Salvador mais claro do que qualquer voz poderia dar.”



Temos, também como evidência de autenticidade, o relato de um culto realizado na Igreja do Santo Sepulcro, descrito por um peregrino no ano de 380 d.C.: "Eu sei que você estava ansioso para saber sobre os cultos que eles têm diariamente nos lugares santos, eu vou falar sobre eles. Logo ao primeiro canto do galo, o bispo entra imediatamente no sepulcro sob a anastasis e toda a multidão corre para a Anastasis que já está em chamas com muitas lâmpadas. Então o bispo que está dentro da tumba pega o evangelho e avança até a porta do sepulcro, onde ele mesmo lê o relato da ressurreição do Senhor. Quando o evangelho termina, o bispo sai e é levado com hinos à cruz, e todos vão com ele para a grande igreja, o Martyrium. O povo se reúne na grande igreja construída por Constantino sobre o Gólgota”. Apesar da palavra anastasis significar ressurreição, faz referência à cúpula rotunda na igreja sobre o túmulo de Cristo.


A famosa freira peregrina Egéria também escreveu algo sobre a Igreja do Santo Sepulcro em 380 d.C.: “Do oeste para o leste, encontramos, primeiro, a Anastasis, ou igreja da Ressurreição, em cujo centro encontra-se a gruta do Santo Sepulcro e onde uma missa diária era celebrada. Em seguida, se encontra o átrio da Cruz, um pátio interno circundado por pórticos em três lados, com o lado leste ligado ao coro da igreja do Martyrium, a igreja principal do complexo. Esse amplo pátio ao ar livre, chamado Ante Crucem, caracteriza-se pela presença de uma cruz, no suposto local da crucificação de Jesus, e serve de sede para certos rituais sazonais e para os elaborados ritos de despedida das vésperas diárias. Atrás da cruz havia uma capela chamada Post Crucem, onde era realizada a missa da Quinta-feira Santa e era venerado o santo lenho da cruz na Sexta-feira Santa. O Martyrium, uma igreja com cinco naves e uma abside no extremo oeste, era a igreja principal ou "igreja maior" (ecclesia maior) de Jerusalém, onde a missa de domingo era celebrada. Frequentemente chamada no texto de "a Igreja no Gólgota", o Martyrium situava se sobre a gruta onde foi encontrada a Verdadeira Cruz de Cristo. Egéria não menciona o pátio a leste do Martyrium e apenas uma vez refere-se às portas principais que constituem parte do propileu, ou seja, a entrada ornamentada com colunas, situada no extremo leste da basílica, que se abria para o meio da rua do mercado, o qual era chamado de quintana.


Distante de Jerusalém, na Itália, existe uma antiga igreja, construída sobre uma casa do século II onde acredita-se que São Pedro ficou hospedado e considerado um dos primeiros locais de culto cristão em Roma, a Basílica de Santa Pudenziana, em cujo abside está exposto um mosaico datado do século IV que mostra Cristo em frente à Igreja do Santo Sepulcro de Constantino. Essa é mais uma evidência a favor da veracidade do local.



O famoso mapa do Mosaico de Madaba, datado de meados do século VI e encontrado no chão da Igreja de São Jorge, na Jordânia, revela a Igreja do Santo Sepulcro bem no centro da cidade de Jerusalém. Ele é a mais antiga representação original de Israel e de Jerusalém.



Durante a Conquista Persa de 614 d.C. a igreja foi saqueada e muito danificada, sendo restaurada pelo monge Modestus. Em 648 d.C., mesmo estando sob domínio muçulmano, Saladino permitiu aos cristãos visitar e cultuar na igreja.

Mas, foi muito diferente em 1009 d.C., quando o califa muçulmano Al-Hakim deu ordem para que todas as igrejas fossem destruídas. A Igreja do Santo Sepulcro foi completamente arrasada, inclusive impondo sérios danos ao túmulo original de Cristo. O templo só seria reconstruído em 1048 d.C., pelo Patriarca Nicéforo de Constantinopla, sob grande despesa do Imperador Constantino IX Monômaco.


Embora haja alicerces, paredes, pisos e subterrâneos de todas as eras, uma boa parte da Igreja do Santo Sepulcro que vemos hoje é resultado da reforma realizada pelos cruzados por volta do ano 1112 d.C.. Eles incluíram o pátio do Gólgota, antes aberto, e a igreja do Martyrium dentro do mesmo teto do restante da Catedral. A entrada que ficava à leste foi fechada e foram abertas duas portas ao sul, uma delas, a da direita fechada durante a Reconquista Muçulmana em 1187 d.C.. Uma Edícula foi construída sobre o túmulo de Cristo e um escada de acesso ao Gólgota foi construída dentro da igreja. Também foi construída uma longa escada que leva até a Igreja de Santa Helena e à Igreja da Cruz Encontrada.



Durante a época em que os cruzados regeram Jerusalém, colocaram a igreja sob a custódia da igreja Grega Ortodoxa, Armênia Apostólica e Católica Romana. No século XIX, foram dadas pequenas partes do prédio e das responsabilidades às igrejas Copta Ortodoxa, Etíope Ortodoxa e Síria Ortodoxa.


CURIOSIDADE: A Chave da Basílica do Santo Sepulcro. Incrivelmente, os cristãos não têm as chaves do local mais importante do cristianismo. Duas famílias muçulmanas milenares é que tem a posse das chaves, sendo também responsáveis pela abertura e fechamento diários da igreja. Segundo Wajeeh Nuseibeh, após a conquistar Jerusalém em 637 d.C., o califa Omar permitiu o acesso dos cristãos à Igreja, mas deu as chaves do Templo à família Nuseibeh, originária de Medina e aparentada do profeta Maomé. Em 1187 d.C., com o domínio de Saladino, a mesma família Nuseibeh foi novamente escolhida para custodiar a chave. E, já no século XVI, os turcos-otomanos, decidiram dividir a tarefa com a família Joudeh. Hoje, os senhores Wajeeh Nuseibeh e Adeeb Joudeh é que carregam a antiga chave de ferro com cerca de trinta centímetros.


As últimas grandes e significativas mudanças no templo ocorreram em 1808 d.C., por conta do grande Incêndio. A Edícula foi reformada, o Catholicon foi fechado e novas escadas de acesso ao Calvário foram construídas, logo à direita da porta de entrada.



Em 1927, após um terremoto, a edícula ficou abalada e precisou ser reforçada com uma espécie de “exoesqueleto” de aço até que, em 2016, uma nova reforma a reabilitou, eliminando as escoras.



Recentemente, em abril de 2022, ao removerem uma grande laje de pedra, arqueólogos descobriram uma decoração que combina arte clássica, bizantina e islâmica primitiva, com mármore colorido preenchendo gravuras circulares na pedra. Acredita-se que a laje de pedra ficava no ápice, no santuário da Igreja do Santo Sepulcro. Isso fornece mais evidências de que este local tem sido venerado por milênios como o verdadeiro local da morte, sepultamento e ressurreição de Cristo.



Infelizmente fechado ao público, o subsolo da Igreja do Santo Sepulcro ainda exibe os muros de contenção da plataforma de Adriano. Além disso, algumas das escadas que levavam ao templo pagão podem ser vistas hoje na parte inferior da igreja a leste.


CURIOSIDADE: A Escada imóvel da Basilica do Santo Sepulcro. Se você conhece ou já viu imagens da Igreja do Santo Sepulcro, com certeza se lembra de uma pequena escada de madeira apoiada sobre uma marquise acima da porta lacrada na fachada principal. Ela é conhecida como A Escada Imóvel do Santo Sepulcro e recebeu esse nome por já aparecer numa gravura de 1723. Ninguém tem certeza de como a bendita escada foi parar ali. Acredita-se que foi deixada por alguém que fazia manutenção, permanecendo imóvel há quase três séculos. E por que ela não estragou? Porque é feita de cedro do Líbano e a própria condição climática seca do local ajuda na conservação da madeira. Em 1757, para evitar disputas, brigas e guerras, o sultão otomano Osman III “forçou” um acordo que ficou conhecido como Status Quo. Esse acordo dividiu a cidade em quadrantes e estabeleceu que nenhum clérigo das seis ordens cristãs poderia mover, reorganizar ou alterar qualquer propriedade sem consentimento das outras cinco ordens. Quem tivesse controle de determinado espaço, o manteria indefinidamente. Se um grupo se interessasse por algum espaço alheio, deveriam entrar em acordo. Desde então a escada nunca foi movida da fachada. Apesar de evitar confusões, esse acordo dificulta a manutenção de locais importantes, porque, na maioria das vezes, as partes discordam. O desacordo é tão grande e ridículo, que mesmo hoje, os seis grupos cristãos decidiram que é mais fácil deixar a escada onde está, mesmo porque não sabem nem quem é o seu dono, embora a sacada onde ela esteja pertença à Igreja Apostólica Armenia. Em 1757, o sultão Abdul Hamid a mencionou em um escrito, e várias litografias e fotografias do século XIX mostram a dita escada. Em 1981 um indivíduo tirou a escada do seu lugar, mas rapidamente foi pego por guardas israelenses. E, em 1997, um homem conseguiu roubá-la (foto), e desapareceu com a escada durante várias semanas, quando foi encontrada, recuperada e posta em seu lugar. Como que ele conseguiu fugir com a escada é um mistério.


A igreja tem muito a ser visto e merece uma visita de algumas horas. Listarei apenas alguns.

- A Capela dos Francos (Estação X da Via Dolorosa) está localizada no pátio externo, ao final da escada à direita da entrada da igreja. É um local clássico para fotos de grupos.



- A Pedra da Unç