A Porta Dourada e o Cemitério Muçulmano no Monte do Templo


Esse é portão mais antigo e famoso da atual Jerusalém. Conhecido como a Porta de Susã, a Porta da Misericórdia, a Porta Oriental ou ainda a Porta Dourada, certamente foi registrado em algumas fotos suas, caso você já tenha visitado Israel.

Apesar de existir um entrada oriental desde os tempos salomônicos, a Porta atual foi construída em algum momento entre os séculos VI e VII. Ou seja, apesar de muito antiga, essa não é a porta dos tempo de Davi, Salomão, Neemias ou Jesus.

Eras Bíblicas

A primeira Porta Dourada, provavelmente construída por Salomão no século X a.C., foi destruída junto com o Templo e a cidade entre 587 e 586 a.C. pelos babilônicos. A segunda versão foi reconstruída por Neemias em 444 ou 445 a.C. e, provavelmente, reformada por Herodes, o grande, no século I a.C.. Porta essa que foi destruída em 70 d.C. pelo general romano Tito.

Era Bizantina

Após a derrota dos Persas em 639 d.C. o imperador bizantino Flávio Heráclio Augusto adentrou Jerusalém por essa mesma Porta Dourada das fotos de turistas, trazendo os remanescentes da Verdadeira Cruz, que ele mesmo havia recuperado dos persas, e os depositou na Igreja do Santo Sepulcro.

Sabe-se que, na era bizantina, a Porta Dourada era aberta apenas duas vezes ao ano, no Domingo de Ramos e na Celebração da Santa Cruz em março. Com a derrota dos cruzados para os otomanos em 1187 d.C., o destacado portal permanecer cerrado.

Era Otomana

Após Suleiman, conhecido no ocidente como o “magnífico”, e no oriente como “o Legislador”, tornar-se Califa do Islã e Sultão do Império Otomano em 1520, reergueu as muralhas da Cidade Velha de Jerusalém, as mesmas que são vistas hoje. Apesar de haver trechos da construção que remontam a tempos bíblicos muito anteriores, como da época caananita, salomônica e cristã, a maior parte da muralha é do século XVI, entre 1535 e 1538.

Em 1541, após a reconstrução da muralha de Jerusalém, o poderoso Sultão decidiu fechar definitivamente a Porta Dourada usando pedras. Acredita-se que o generoso e justo Suleiman, responsável pelo ápice do império Otomano, conhecia, temia e tentou impedir a profecia judaica à respeito do messias e relacionada com a Porta Oriental.

"Então me levou à porta, à porta que olha para o caminho do oriente. E eis que a glória do Deus de Israel vinha do caminho do oriente; e a sua voz era como a voz de muitas águas, e a terra resplandeceu por causa da sua glória. E o aspecto da visão que tive era como o da visão que eu tivera quando vim destruir a cidade; e eram as visões como as que tive junto ao rio Quebar; e caí sobre o meu rosto. E a glória do Senhor entrou na casa pelo caminho da porta, cuja face está para o lado do oriente. E levantou-me o Espírito, e me levou ao átrio interior; e eis que a glória do SENHOR encheu a casa". Ezequiel 43:1-5

Além do fechamento da Porta Oriental, Suleiman estabeleceu um cemitério muçulmano a sua frente. Sábio e estudioso das religiões, o sultão sabia que os cadáveres funcionariam como barreira à pureza do messias que, além de rei, seria sacerdote."E todo aquele que sobre a face do campo tocar em alguém que for morto pela espada, ou em outro morto ou nos ossos de algum homem, ou numa sepultura, será imundo sete dias". Números 19:16.

A cristandade acredita que a profecia da vinda do Messias já foi cumprida. Compare os textos dos livros de Salmos e Zacarias com a descrição de São Marcos sobre a Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém.

“Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos, e alegremo-nos nele. Salva-nos, agora, te pedimos, ó Senhor; ó Senhor, te pedimos, prospera-nos. Bendito aquele que vem em nome do Senhor; nós vos bendizemos desde a casa do Senhor. Deus é o Senhor que nos mostrou a luz; atai a vítima da festa com cordas, até às pontas do altar. Salmos 118:24-27.

“Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre, e montado sobre um jumento, e sobre um jumentinho, filho de jumenta”. Zacarias 9:9

“E levaram o jumentinho a Jesus, e lançaram sobre ele as suas vestes, e assentou-se sobre ele. E muitos estendiam as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho. E aqueles que iam adiante, e os que seguiam, clamavam, dizendo: Hosana, bendito o que vem em nome do Senhor; Bendito o reino do nosso pai Davi, que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas. E Jesus entrou em Jerusalém, no templo, e, tendo visto tudo em redor, como fosse já tarde, saiu para Betânia com os doze. Marcos 11:7-11.

Entretanto, fechando a Porta Oriental em 1541, Suleiman acabou colaborando involuntariamente com outra profecia. "Então me fez voltar para o caminho da porta exterior do santuário, que olha para o oriente, a qual estava fechada. E disse-me o Senhor: Esta porta permanecerá fechada, não se abrirá; ninguém entrará por ela, porque o Senhor, o Deus de Israel entrou por ela; por isso permanecerá fechada". Ezequiel 44:1, 2.

A tradição cristã acredita que foi pelo Portão Oriental, não propriamente o de Suleiman, mas o que está abaixo dele, que Jesus, o messias, adentrou entre mantos e palmas há dois mil anos. Conforme a explicação profética de Ezequiel, o fato da Porta Dourada estar fechada confirma que Jesus era de fato o Messias aguardado.

Quando Jesus subia à cidade, em meio à manifestações de apoio e reconhecimento de sua missão messiânica mencionou algo interessante Quando ele já estava perto da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou a louvar a Deus alegremente, em alta voz, por todos os milagres que tinham visto. Exclamavam: "Bendito é o rei que vem em nome do Senhor! " "Paz no céu e glória nas alturas! "Alguns dos fariseus que estavam no meio da multidão disseram a Jesus: "Mestre, repreende os teus discípulos! "Eu lhes digo", respondeu ele, "se eles se calarem, as pedras clamarão". Lucas 19:37 a 40. Uma tradição cristã sugere que as pedras de Suleiman que selam o Portão Dourado “clamam“ que Jesus é o Messias em cumprimento à profecia de Ezequiel.

Era atual

Em 1969, o estudante de arqueologia James Fleming fotografava a Porta Dourada, quando o chão úmido cedeu e ele caiu num poço de ossos. Fleming viu e fotografou uma arco de pedras que se supõe ser da Porta Dourada dos tempos herodianos e que foram usados por Suleiman como alicerces para a Porta atual.

Com detalhes bizantinos, a metade norte da Porta é chamada de Porta do Arrependimento, enquanto a metade sul, Porta da Misericórdia. Por dentro da muralha há uma construção que protege a Porta Oriental, uma espécie de casamata decorada com pilares e capiteis bizantinos e uma escadaria que dá acesso à explanada do Templo.

Para ver de perto a Porta Dourada e o cemitério muçulmano, você pode entrar por um portão ao lado da Porta dos Leões ou outro portão na esquina sul da muralha Oriental. O lugar é calmo, vazio e seguro. Apenas não saia do caminho central e evite pisar sobre os túmulos para não receber um advertência dos palestinos que vigiam o local.

O cemitério é mal cuidado, sujo e há túmulos destruídos, inacabados e mal construídos. Você vai se deparar com materiais de construção abandonados, cimento endurecido pelo chão, embalagens plásticas e bitucas de cigarro. O mato não é aparado, há espinhos que se fincam nos sapatos e também ferramentas abandonadas no local.

Mas, nada disso desmerece a emoção de estar sobre o Monte Moriáh, próximo à muralha e à Porta Oriental, além, é claro, do lindo panorâma. É possível fotografar de perto a muralha e a Porta Dourada, além da vista especial do Vale do Kidron e do Monte das Oliveiras com seus importantes e conhecidos sites religiosos e turísticos. Vale muito a pena conhecer.

Não deixe de ver a galeria de fotos dessa matéria. Está muito interessante e tem fotos nada convencionais de Jerusalém da minha visita em 2015 com Renova Turismo.

Dr. Felipe Silva,

Cirurgião-dentista no COP Campinas,

É amigo e viaja com Renova Turismo.

"Dr. Felipe considera que a terra de Israel foi agraciada pelo sobrenatural, pelo natural e pelo humano; é sem-segundo quando se trata de paisagens, história, religião e cultura; e oferece todos esses ingredientes àquele que a descreve, em um caldeirão que vem sido mexido e temperado há milênios por mãos humanas e divinas. Para ele, Israel é uma musa de inspiração que convida à sua contemplação e profusa tradução artística. Ele aceitou o convite."

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