Subterrâneos de Jerusalém: O Túnel do Muro Ocidental


Nessa matéria, retomamos a série que mostra um pouco do passado de Jerusalém enterrado em túneis, cavernas, galerias e escavações localizados sob a cidade atual. Hoje falaremos sobre o Túnel do Muro Ocidental. Uma experiência imperdível pra quem está na cidade do grande rei e tem tempo para uma aventura. Sem dúvida alguma, afirmo que é um dos sites mais fantásticos de Sião e por isso merece uma matéria mais longa do que de costume.

O túnel recebe esse nome pois, por um bom trecho, segue margeando o Muro Ocidental, também conhecido como Muro das Lamentações ou ainda, como os judeus chamam, Kotel. Esse túnel poderia, sem problema algum, ser também chamado de “túnel do tempo de Jerusalém”.

A entrada do Túnel do Muro Ocidental fica na rua HaGai abaixo de um dos arcos que sustentavam a grande ponte ligava a cidade alta e o Monte do Templo, durante o período do segundo templo. Por essa ponte também passava um aqueduto que trazia água de Belém a Jerusalém.

A visita começa descendo uma pequena escada que leva à uma câmara subterrânea cujo teto é uma estrutura de suporte datada do período mameluco (século XIV).

Ali o grupo receberá uma longa explicação ilustrada com vídeo e modelo do Monte Moriáh em suas diversas conformações ao longo das eras, desde a pedra de fundação da criação do mundo até os dias atuais, passando pelo segundo templo e sua esplanada. O passeio segue pelo estreito túnel, realizando diversas paradas com abundantes explicações. Muita informação importante e interessante é fornecida pelo guia.

Abaixo das construções do período mameluco, podemos ver as grandiosas pedras do Muro Ocidental com suas típicas molduras herodianas e encaixes recuados perfeitos. É fascinante ver os arcos de pedra e abóbodas muçulmanas que sustentam as estruturas modernas da cidade velha há séculos.

As pedras do muro foram encaixadas variando a posição em largura e comprimento para melhorar o encaixamento e dar uma estabilidade excepcional ao muro, inclusive contra terremotos. O maior bloco tem 13,6 metros de comprimento, sua profundidade estimada está entre 3.5 a 4.6 metros. A sua altura é de 3,3 metros, com um peso de 570 toneladas. Esses blocos foram montados com juntas secas, ou seja, sem nenhum tipo de cimento ou cola e são muito maiores que aqueles encontrados nas pirâmides de Gisé, por exemplo.

Margeando o Muro Ocidental, podemos ver uma parte do leito da rocha que foi entalhado simulando vários blocos com rebaixo marginal herodiano apenas para dar acabamento ao muro, um típico capricho herodiano. Mais a frente podemos ver e tocar a rocha bruta não trabalhada do Moriáh, base milenar de todas as pesadas estruturas de Jerusalém.

Você poderá andar numa rua do tempo de Jesus que ligava a Cidade de Davi (cidade baixa) ao Muro Ocidental. Nessa ruazinha vendedores ofereciam, dentre outras coisas, animais para sacrifício. Num ponto dessa rua é possível visualizar uma pequena pedreira de onde se extraíram blocos de pedra para construir o Templo. Podemos contemplar um desses blocos parcialmente cortado, mas abandonado ainda preso ao leito rochoso.

Num ponto do túnel podemos ver e tocar duas colunas herodianas, parte da colunata da antiga rua do mesmo período. Também é possível ver um guardrail que protegia as pessoas de caírem numa cisterna aberta que coletava as águas das chuvas das ruas.

Durante o passeio é possível ver algumas mikves, aquelas banheiras rituais judaicas. Água era desviada do aqueduto da grande ponte para manter diversas dessas mikves com água corrente para os peregrinos se purificarem antes de subirem ao Templo de Jerusalém.

Num determinado ponto é possível identificar um grande portão de acesso à esplanada do Templo. Hoje preenchido com pedras, recebe o nome de seu descobridor, o arqueólogo Charles Warren. Por causa da proximidade com o Santo dos santos, na idade média esse lugar abrigava a famosa Sinagoga da Caverna destruída pelos cruzados em 1099 e celebrada hoje por uma pequena sinagoga.

Próximo dali, você poderá sentir a emoção de visitar o pequeno lugar, hoje reservado para a oração das mulheres, onde acredita-se ser o local com maior proximidade do Santo dos santos que ficava no Templo judeu.

Uma placa anuncia o fim da rua herodiana! Desse ponto em diante andaremos pelo antigo aqueduto com 80 metros construído no período hasmoneu. Estreito e por vezes muito alto, o aqueduto ainda conserva em suas paredes de pedra um tom esverdeado devido à umidade.

Encerramos o percurso visitando uma parte de uma grande cisterna que fornecia água potável à Jerusalém, a Cisterna Strouthion. Dois terços dela são visíveis apenas no Convento das Irmãs de Sião na via dolorosa, que é outro subterrâneo muitíssimo interessante que falarei em outra matéria.

Em determinado trecho dessa aventura, existe uma grande câmara onde está exposta uma coluna herodiana fantástica. Vale a pena conferir. Um outro espaço, chamado Câmara das Eras, revela uma profunda escavação arqueológica, cujas paredes expõem todas as construções humanas das mais diversas eras. No fundo, o leito rochoso do Moriáh, certamente pisado por Abraão e Isaque.

No trajeto do túnel, você pode conferir uma redoma de vidro com diversos Tefilins centenários e milenares encontrados naquelas escavações. Tefilin é aquela pequena caixa de couro de animal kasher que contem 4 trechos da Torá (Êxodo 13:1-10, Êxodo 13:11-16, Deuteronômio 6:4-9 e Deuteronômio 11:13-21) e é atada ao braço esquerdo do judeu antes da oração.

Essa aventura termina no lugar de oração encostado ao Muro Ocidental que fica abaixo do Arco de Wilson, a sessão mais longa da antiga ponte do primeiro século que dá acesso à Plaza do Muro.

Infelizmente não há visitas guiadas em português, apenas em hebraico, inglês, francês e russo. Minha sugestão é que você preste muita atenção para captar o máximo das explicações. Siga atento ao guia até chegarem ao final do passeio na grande cisterna ainda com água. Não se preocupe com fotografias ou com a observação mais detalhada. Como não é obrigatório voltar com o guia, aproveite pra ficar mais tempo e voltar fotografando, tocando e imaginando a Jerusalém da época de Jesus nessa maravilhosa cápsula do tempo. Ler tudo a respeito antes de ir é a melhor forma de aproveitar ao máximo esse importante lugar.

Vários trechos são estreitos e outro apresentam passagens baixas. Mochilas e tripés podem atrapalhar um pouco. Falo por experiência própria. Além disso, há escavações em andamento e maquinário espalhado. Entretanto, por todo lado há passarelas, corrimãos, protetores de cabeça, luzes, ar-condicionado e placas explicativas em inglês.

A visita aos túneis é aberta a partir das 7 horas da manhã e fica até tarde da noite (é assim que eles informam). Lembrando que na sexta, por causa do Shabat, fecha ao por do sol. Aos sábados a visita só é possível sob reserva antecipada.

O acesso ao Túnel do Muro Ocidental custa 30 NIS. Sim, é importante cambiar seus dólares por Shekel, pois, por se tratar de uma atração administrada por judeus ortodoxos ultranacionalistas, só é aceita a moeda local. Em minha última experiência por lá, quando fui perguntar no guichê pelo preço em dólar, o judeu ortodoxo respondeu de forma ríspida: - estamos em Israel, aqui a moeda é Shekel! Saímos, rimos e fomos trocar o dinheiro numa lanchonete próxima.

Estando na Cidade Santa, jamais perca essa viagem no tempo pela gloriosa Jerusalém do período do segundo Templo. Você pode conferir a respeito do que falamos aqui e muito mais acessando o site do Kotel.

Dr. Felipe Silva

Cirurgião-Dentista - COP Campinas

Cliente da Renova Turismo desde 2012

Amante e entusiasta da Terra Santa de Israel.


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